Fontes alternativas de energia são indispensáveis para a indústria

O aumento do custo das formas convencionais de energia, além dos impactos ambientais causados pela produção hidráulica ou de origem fóssil, como o petróleo e o gás, tem se refletido em preocupações para governo, indústrias e ambientalistas brasileiros. Até 2030, a demanda por energia pode aumentar em 50%, segundo o relatório World Energy Outlook, preparado pela Agência Internacional de Energia. Se a produção não for alterada, isso irá concorrer potencialmente para a emissão de carbono e outros gases que contribuem para o chamado efeito estufa. A saída encontrada são os investimentos em fontes alternativas, como o biodiesel e as energias eólica e solar.
Investimentos nas novas fontes de energia são indispensáveis diante da certeza de escassez das matrizes convencionais. Segundo especialistas da área, é preciso intensificar a produção de energia renovável antes que as reservas, principalmente as fósseis, se esgotem, resultando num colapso energético.
Além da garantia do fornecimento de energia, o investimento nas novas matrizes também possui o viés ambiental. O combustível verde é menos prejudicial à natureza e não causa tamanho impacto, principalmente no que tange ao aquecimento global. Para se ter uma ideia, uma tonelada de biodiesel evita a emissão de 2,5 toneladas de CO2 para a atmosfera.
Na Bahia, a Bioóleo (indústria de óleos vegetais) é referência no processamento de sementes oleaginosas como mamona, girassol e caroço de algodão. Na fábrica instalada em Feira de Santana são processadas 420 mil toneladas anualmente. “Cerca de 80% da produção está voltada para o mercado de biodiesel. O combustível vegetal é uma realidade e o Governo está atento”, informa o superintendente da Bioóleo, Marcelo Régis, que considera positivo o aporte federal para a nova fonte de energia.
Segundo Régis, o fomento dos combustíveis ambientais não só contribui para a redução dos gases poluentes, como incentiva a agricultura familiar. “É um mercado crescente e que resulta numa melhor distribuição de renda, principalmente no campo”. A Bioóleo fornece matéria-prima para a Petrobras, para a Comanche (fábrica de biodiesel, localizada no Centro Industrial de Aratu, na Bahia) e para a Brasil Ecodiesel, empresa que possui usina na Bahia (Chapada Diamantina), com capacidade para processar 118.800 m3 de biodiesel por ano.

Fornecedores apresentam soluções

Os fornecedores das indústrias baianas e sergipanas já começam a oferecer opções para as empresas preocupadas em tornar mais sustentáveis suas fontes de energia. A ABB, por exemplo, empresa multinacional com filial em Camaçari (BA), fornece máquinas, equipamentos e soluções em automação para melhor eficiência energética. Os principais clientes estão nos setores de mineração e “óleo e gás”. Na Bahia, a Ford e a Braskem fazem parte dessa clientela.
De acordo com o gerente de Meio Ambiente da ABB, Herman Kelner, além da busca por novas matrizes, empresas e indústrias almejam o uso racional da energia como forma de reduzir custos. “Isso potencializa a competitividade no mercado e também reduz a emissão de gases poluentes. As empresas estão adotando a responsabilidade ambiental como ferramenta estratégica de seus planejamentos”, completa o gerente.
A própria ABB aplica internamente as tecnologias que comercializa. Através da substituição de peças, motores e equipamentos antigos e de alto custo por outros novos e mais eficientes, a empresa reduziu em até 2,5% o consumo em cada uma das plantas espalhadas pelo mundo, inclusive a de Camaçari, na Bahia. “Nossa expertise é aperfeiçoar o processo produtivo, evitando as perdas de energia. Isso é feito com equipamentos modernos de controle e redução, independentemente de a matriz ser mineral, fóssil ou hidráulica. Temos tecnologia para todas, por isso somos um player referenciado neste segmento”, diz Kelner, que também ressalta a ISO 14000, de responsabilidade ambiental, conquistada e mantida pela empresa há 12 anos.
O processo de eficiência energética pode ser alcançado quando se reduz o consumo de energia e a produtividade é mantida ou quando se aumenta a produção com a manutenção do consumo. “Existem casos em que se consegue reduzir o consumo e ainda aumentar a produção”, explica o gerente de contas estratégicas da ABB, Francisco Vieira. “Cada cliente tem uma demanda e nossas soluções são específicas”, reforça.
O primeiro passo é conhecer a produção do cliente e avaliar onde ocorrem as fugas de energia. “A ABB possui uma equipe multidisciplinar que vai estudar a demanda produtiva e de consumo do cliente. A partir dos resultados obtidos, temos a opção de mudar o processo produtivo ou substituir equipamentos defasados, que respondem por um consumo maior de energia”, explica Vieira.
No Brasil, a ABB apresenta para seus clientes os equipamentos mais modernos em automação e robótica, desde simples geradores relés até lâmpadas de consumo inteligente. Vieira considera que a tecnologia e os equipamentos da ABB representam uma maior confiabilidade na fabricação. “Nossa tecnologia permite que o próprio equipamento meça sua autonomia, de acordo com a defasagem, possibilitando que o cliente tenha exatidão na capacidade de produção e consumo de energia. Nossa automação ainda faz com que sejam minimizados os desperdícios com insumos nos procedimentos de composição química, por exemplo”. A empresa também possui técnica para recuperação de calor, como as caldeiras.

Cursos técnicos estudam novas fontes de energia

Formar futuros engenheiros, técnicos ou simplesmente cidadãos conscientes sobre as reservas energéticas e seu uso racional. Foi com este objetivo que o professor de física do Colégio Estadual Luiz Pinto de Carvalho (em Salvador), Alex Vieira dos Santos, desenvolveu o projeto “Fontes de Energia: popularização das ciências através dos estudos de ciências, tecnologia e sociedade”. Com esse trabalho Alex venceu a quarta edição do Prêmio Educadores Inovadores (iniciativa da Microsoft que reconhece os melhores projetos educacionais voltados ao uso da tecnologia), na categoria Conteúdo. O material coloca à prova a capacidade dos alunos na busca de soluções alternativas para o consumo de energia. “É uma forma de aproximar a disciplina da realidade dos alunos”, afirma Vieira. No projeto, que contou com o apoio do professor de química Silva Cruz, os alunos realizam planos de eficiência energética ou de substituição das fontes a partir de um determinado caso de insuficiência. O resultado é exposto em maquetes que representam o novo sistema de fornecimento.
O sucesso e o reconhecimento internacional fizeram com que o projeto se tornasse disciplina para estudantes de cursos técnicos, a exemplo dos cursos de Manutenção Automotiva e Mineração. “Neste caso eles são obrigados a resolver dificuldades que surgiriam numa fábrica automotiva ou química. São simulações de problemas reais, que vão prepará-los para o mercado de trabalho. Saber quais são as novas fontes é muito importante para eles”, completa.
Vieira explica que a ideia do projeto surgiu em 2001, após o racionamento de energia em todo o País, mas ganhou corpo mesmo em 2005. “Foi necessário discutir com os alunos o que estava acontecendo e quais as soluções que poderiam surgir para aquela demanda. Hoje eles levam o debate para dentro de suas casas, quando buscam economizar na conta de luz, pensando não somente no dinheiro, mas também no meio ambiente. Isso é socializado para toda a família”, reitera.

O governo brasileiro prevê um crescimento de 5,1% ao ano no consumo de energia. Para suprir tal demanda, devem ser investidos cerca de R$ 951 bilhões no setor energético, entre 2010 e 2019. Grande parte dos recursos, cerca de 71%, será destinada à produção de combustíveis fósseis. Outros 22,5% vão para as usinas hidrelétricas e muito pouco para as fontes alternativas de energia. Um exemplo é o plano de investimentos da Petrobras, que prevê apenas R$ 126 milhões para o segmento de biocombustíveis até 2014, enquanto o setor de energia fóssil deve receber um montante de R$ 250 bilhões no mesmo período.
Os investimentos fazem parte do Plano de Negócios da Companhia, que está em fase de desenvolvimento e envolve 645 projetos, sendo que um terço deles está incluído no PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento, do Governo Federal). Os outros setores que também receberão recursos são os de refino, transporte, comercialização e petroquímica, além dos de gás natural, fertilizantes e exploração e produção.

            
            

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