Cetrel inova e gera bioenergia com cana-de-açúcar

A Cetrel inaugurou em março a sua primeira planta piloto de geração de bioenergia a partir da vinhaça (resíduo) da cana-de-açúcar. O empreendimento foi feito na Paraíba, na destilaria Japungu, e faz parte dos projetos da área de inovação da empresa. “A iniciativa segue a nossa tendência de tentar potencializar o uso de resíduos no processo produtivo. Vimos na bioenergia uma boa oportunidade de negócio. O setor sucroalcooleiro vem crescendo e, com ele, a quantidade de vinhaça produzida”, explica a gerente de Inovação Tecnológica com Foco em Bioenergia, Suzana Domingues. A empresa investiu R$ 7,5 milhões em todo o processo.
Em 2010, a Cetrel firmou parcerias com diversas empresas do setor sucroalcooleiro do Nordeste. Também foram feitos acordos com fornecedores e empresas de engenharia para o desenvolvimento da planta piloto e de uma unidade industrial que terá potencial produtivo entre 0,8 e 1MW. “O número é variável porque a produção de energia depende diretamente da qualidade da matéria-prima, que é flutuante”, afirma Domingues.
A perspectiva é de que a unidade entre em funcionamento ainda no segundo semestre de 2011. “O objetivo com a segunda planta é ter uma unidade demonstrativa, que realize todas as etapas do processo produtivo, inclusive a geração de energia”, esclarece. A gerente também ressalta que a unidade piloto recém-inaugurada se limitará a testes em produção de biogás, pois não tem porte para produzir o material em escala industrial.
A opção por investir em localidades fora da Bahia se justifica pela oferta de matéria-prima abundante em outros estados da região Nordeste. “Nós ainda não temos a tradição de usinas sucroalcooleiras. Elas existem aqui, mas não na quantidade que há em outros estados. A Paraíba, por exemplo, que tem apenas 1% da produção de álcool do Brasil, já possui uma quantidade maior de usinas do que a Bahia. O setor está crescendo por aqui, mas ainda não há tantas possibilidades de parcerias”, justifica a gerente de Inovação Tecnológica da Cetrel.

Desenvolvimento de tecnologias
O empreendimento é apenas uma etapa de um projeto maior, iniciado em 2009, que consiste na viabilização econômica da produção de energia a partir da chamada biomassa. Aquele ano foi marcado pela participação da Cetrel em um edital de subvenção econômica à inovação, promovido pela Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia (Finep). “Nós conseguimos um aporte considerável para a pesquisa. A partir daí passamos pela primeira etapa de laboratório, onde fizemos diversos testes com a nossa matéria-prima, a vinhaça. Agora estamos no passo seguinte, que é a planta piloto, onde faremos testes mais operacionais”, conta Domingues.
Os testes serão importantes para entender como funcionará o processamento da vinhaça e sua transformação em biogás, matéria-prima para a produção de bioenergia. “Nesta nova etapa nós receberemos o material derivado da cana-de-açúcar diretamente das usinas. Faremos avaliações das condições e possíveis problemas operacionais, da variação de qualidade da matéria-prima, e das melhores formas de conseguir produzir o biogás com constância de quantidade e qualidade. Também serão feitos ajustes para otimização da construção do nosso reator, avaliando três tipos diferentes”, descreve a gerente.
Domingues faz questão de ressaltar que a tecnologia de produção de energia elétrica a partir de biomassa já é algo conhecido, mas a Cetrel traz inovações. “Nosso processo é mais eficiente, o que torna a produção mais viável economicamente”, conta, sem revelar quais são exatamente as diferenças entre a tecnologia da Cetrel e a das demais empresas. O custo de produção também não foi revelado.

A Cetrel na Bahia e no Brasil
A Cetrel iniciou suas operações juntamente com a fundação do Polo Petroquímico de Camaçari, em 1978. Atua no tratamento dos efluentes e resíduos das indústrias locais, aproveitamento de energia e também no monitoramento ambiental de todo o complexo e seu entorno.
A Companhia nasceu como uma estatal e é a primeira empresa no Brasil voltada para o ramo de proteção ambiental em complexos industriais de grande porte. Privatizada em 1991, 75% de suas ações pertencem às indústrias do Polo de Camaçari e 25% são de propriedade do Governo do Estado.
Além dos novos empreendimentos no Nordeste, a Cetrel mantém outros projetos fora do Polo de Camaçari. Em Salvador, conta com uma estação de medição montada na Av. Paralela, além de uma unidade móvel. A medida é uma das obrigações das cidades-sede da Copa de 2014. A empresa também tem projetos de aproveitamento de resíduos nas unidades da Braskem em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Alagoas.  ■

            
            

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