Estado da Bahia ganha sua primeira refinaria privada

A Bahia ganhou em outubro de 2010 sua primeira refinaria privada (e terceira do Brasil): a Dax Oil Refino S/A, instalada no Polo Petroquímico de Camaçari. O empreendimento é fruto de investimentos da ordem de R$ 20 milhões e terá capacidade máxima de processamento de 2.500 barris de petróleo por dia. Segundo um dos sócios do projeto, Cyro Valentini, esta meta de produção será alcançada gradativamente. “Vamos iniciar a produção com capacidade de processamento de 800 barris por dia e aumentar aos poucos, para dentro de um a dois anos chegarmos à capacidade máxima”, diz, em entrevista à Revista do Fornecedor.
Além da importância de ser a primeira refinaria de petróleo privada do Estado, a inauguração da unidade de refino da Dax Oil reaquece um mercado que encontrava dificuldades para conseguir escoar o seu produto para grandes empresas de petróleo como a Petrobras: o dos produtores independentes da Bacia do Recôncavo.
A proposta da Dax Oil é justamente absorver a matéria-prima produzida nos municípios da Bacia do Recôncavo, como Vera Cruz, Pojuca, Candeias, Entre Rios e Lamarão, que antes só tinham como alternativa a venda para refinarias privadas do Sudeste, mas encontravam dificuldades devido à distância desses clientes.
Atualmente a capacidade máxima de processamento da Dax Oil, 2.500 barris/dia, é maior do que a totalidade da produção dos campos do Recôncavo, de 1.800 barris de petróleo diários, o que demonstra o potencial de absorção da empresa. “Acredito que estamos chegando na hora certa, pois vamos atender à demanda dos produtores independentes. Nossa planta foi desenvolvida para processar o óleo do Recôncavo produzido por eles. Se tivermos oportunidade, vamos absorver todo o volume da produção”, afirma o sócio da Dax Oil.

Objetivo não é concorrer com as grandes empresas
Com a inauguração da refinaria a empresa passa a produzir também três derivados de petróleo: aproximadamente 30% de nafta bruta, cerca de 30% de um produto intermediário entre querosene e óleo diesel e os 40% restantes de óleo combustível. Os dois primeiros derivados são incorporados à linha de solventes produzidos pela empresa, enquanto o óleo combustível é vendido.
Segundo Cyro, a chegada de uma refinaria privada de pequeno porte não causa grande impacto na oferta de derivados, uma vez que o volume produzido será pequeno e voltado para nichos específicos da indústria. Desta forma, a Dax Oil terá um mercado amplo, tanto de fornecedores quanto de clientes, por se tratar de um segmento que não interessa às grandes empresas petrolíferas.
“Nosso objetivo é produzir cortes industriais e atender nichos de mercado que não interessam a uma empresa tão grande como, por exemplo, a Petrobras”, diz Cyro. “Temos procurado dar ênfase ao mercado local, mas temos clientes também na região Sudeste”, complementa.

Parceria entre empresa e universidade gera tecnologia
Uma das dificuldades do projeto, segundo Cyro Valentini, foi o desenvolvimento de alguns equipamentos, pois, devido às suas especificações, não havia fornecedores capazes de atender às demandas em tempo hábil. A solução foi desenvolver tais equipamentos aqui mesmo.
O projeto conceitual da planta de refino da Dax Oil, os estudos iniciais da refinaria e o projeto do sistema de processamento de petróleo oriundo do Recôncavo são resultado de uma parceria entre a Dax Oil, o Departamento de Engenharia Química (DEQ-UFBA) e o Programa de Pós-Graduação em Engenharia Industrial (PEI-UFBA) da Universidade Federal da Bahia.
A parceria firmada com essas instituições, através da Fundação Escola Politécnica, tem como objetivo desenvolver uma solução adequada à realidade local. “O diferencial da tecnologia desenvolvida é um projeto adaptado às condições locais: petróleo leve, produção de produtos para o mercado local, custo mínimo, aproveitamento de equipamentos existentes”, explica à RF o coordenador técnico e administrativo do contrato, professor Ricardo Kalid.
Kalid ainda afirma que “este é um excelente exemplo de integração empresa-universidade, no qual o investimento da empresa é reduzido, a universidade é beneficiada porque seus alunos labutam com problemas reais e a sociedade recebe um empreendimento gerador de empregos e impostos”.
A Dax Oil atua no Estado da Bahia desde 2005, na produção de solventes para a indústria química, com o processamento de nafta petroquímica e de correntes petroquímicas. A iniciativa nas atividades de refino resultou justamente da dificuldade de aquisição da matéria-prima. “Em 2008 surgiu a possibilidade da aquisição de condensado de gás. Para isso, era necessário adequar nossa planta às exigências da ANP (Agência Nacional do Petróleo). Decidimos, então, partir para a instalação de uma unidade que tivesse capacidade para processar também o petróleo”, explica Cyro Valentini.

            
            

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