Revista Primeira Página

Fonte Nova, uma arena show de bola

Palco de clássicos memoráveis e duas tragédias marcantes, o Estádio Octávio Mangabeira  dará lugar a um moderno equipamento multiuso, com padrões de excelência internacionais, que permitirá sua utilização para eventos esportivos, shows, congressos e encontros de negócios

No próximo dia 29, a implosão do anel superior deve findar o processo de demolição do Estádio Governador Octávio Mangabeira, ou Fonte Nova, em Salvador, como é carinhosamente conhecido. Com a arquibancada deitam-se sobre o chão da “Velha Fonte” as lembranças de jogos memoráveis da dupla BA-VI, do Ypiranga, Leônico e Galícia. O templo sagrado do futebol baiano agora ganhará descanso e acordará em 2012, renovado, pronto para conquistar o título de Arena Fonte Nova, com sua arquitetura futurista. Coisas do futebol moderno.
A obra que vai erguer a “Nova Fonte” é tocada pelo consórcio OAS-Odebrecht e tem orçamento estimado em R$591,7 milhões, com previsão de entrega para 2012, já que o governo do estado espera sediar jogos da Copa das Confederações em 2013. Salvador é uma das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014.
A Arena Fonte Nova ocupará uma área de 121.189 metros quadrados, com capacidade para 50 mil lugares fixos; 50 camarotes para mil pessoas, área de imprensa com 2,5 mil lugares vip, museu do futebol, restaurante panorâmico, 62 banheiros, 46 bares, cobertura de estrutura metálica leve e duas mil vagas de garagem na parte interna. Até dezembro deste ano, 500 pessoas devem trabalhar na obra.
A principal novidade será o investimento feito em segurança. O novo estádio terá um sistema de controle de acessos e monitoramento que atende aos melhores padrões internacionais. Outro ponto de destaque é a visibilidade da arena, que irá melhorar muito, se comparada com as condições do estádio antigo, atendendo aos rigorosos padrões internacionais impostos pela FIFA (International Federation of Association Football).
O conforto é outro atrativo da nova arena, cuja cobertura é suportada por uma estrutura tensionada, coberta com uma membrana impermeável. Esse tipo de estrutura diminui de 30 a 40% o consumo de aço, representando uma economia de matéria-prima, o que é ecologicamente favorável.
APESAR DE GANHAR UMA NOVA E ARROJADA concepção arquitetônica, a Fonte Nova deve preservar o formato de ferradura, com abertura para o Dique do Tororó. De acordo com o gerente de engenharia do Consórcio Arena Salvador, Jayro Poggi, toda a parte de demolição mecanizada está 90% concluída. “Estamos em fase de preparação para a implosão do anel superior”, informa. No chão já se encontram o anel inferior, vestiários, ginásio Antonio Balbino (Balbininho), piscinas e tribuna de honra.
Acostumados apenas com o barulho das torcidas, vizinhos da Fonte, muitos moradores de prédios antigos e até as freiras do convento de Santa Clara do Desterro, em Nazaré, têm de se habituar agora com o som das máquinas pesadas. Todos serão removidos de suas casas no dia 29, um domingo, quando acontecerá a implosão, inclusive as freiras. Como compensação pelo incômodo da obra, os moradores terão a valorização imobiliária da área. Os investimentos na mobilidade e acessibilidade urbana para a Copa de 2014 devem incrementar em até 27% o valor dos imóveis da região.
Ao explicar o processo de implosão, Poggi busca minimizar a preocupação dos moradores do entorno da Fonte Nova. “Serão utilizadas as práticas mais modernas no que tange aos serviços de demolição e implosão. Além disso, todos os limites de tolerância impostos pelas normas brasileiras, no que diz respeito a ruído, poeira e vibração do solo, serão obedecidos. O projeto da implosão foi elaborado levando em consideração os limites de vibração toleráveis pelos imóveis históricos e mais críticos”, garante.
O engenheiro esclarece ainda que os impactos da implosão, sejam eles ruídos ou vibrações, serão concentrados no dia do evento, quando todos os moradores que vivem num raio de até 250 metros do estádio serão evacuados de suas residências por um período de aproximadamente cinco horas. Mais de dois mil imóveis foram vistoriados e cadastrados.
A Controlled Demolition Inc., que já realizou implosões em estádios como o KingDome, em Seattle, nos Estados Unidos, presta consultoria para a demolição da Fonte Nova. Jayro Poggi detalha o processo de implosão explicando que foi elaborado um plano de fogo, com informações pormenorizadas da operação. “Em função desse plano, será realizada a fundação da estrutura do estádio e demais procedimentos de preparação para viabilizar o seu sucesso. Após a implosão, os técnicos voltam ao local para conferir o resultado e providenciar a limpeza das ruas onde eventuais resquícios de material tenham sido projetados. Após a remoção desse material, as pistas são liberadas”, relata o engenheiro.
OS INVESTIMENTOS PARA O
PROJETO da Fonte Nova são pesados e, por isso, bastante questionados. Uma das principais perguntas é o que fazer com a Fonte Nova após a Copa de 2014. “O novo sistema multiuso da arena traz para a Fonte Nova padrões de excelência mundial e permite que o espaço seja utilizado não somente para eventos relacionados ao futebol, mas também para shows, inclusive de porte internacional, congressos e encontros de negócios. Com a nova estrutura verticalizada, o público estará mais próximo do espetáculo, gerando um envolvimento muito maior”, informa Poggi.
Uma das soluções viáveis seria “o mando de campo” (quando o time tem o controle da organização do evento e joga em casa, com apoio da sua torcida) de Bahia e Vitória nos seus jogos pelo Campeonato Brasileiro. O assunto tem gerado polêmica, principalmente entre os torcedores do Vitória, que desde meados da década de 90 têm o Barradão – Estádio Manoel Barradas – como seu “caldeirão”. “Sair do Barradão eu acho impossível. Nenhum torcedor vai gostar. Você sairia de sua casa para pagar aluguel?”, questiona Alex Oliveira do Carmo, torcedor do Vitória, que pede mais estrutura para o Barradão. “Precisamos é fazer mais duas arquibancadas e dar mais conforto ao torcedor”, completa.
Se a afirmação de Alex reflete o pensamento rubro-negro, do lado tricolor as opiniões são ainda mais divergentes. Parte da torcida quer a Fonte Nova de volta, outra parte prefere o acesso fácil ao estádio de Pituaçu, onde o time do Bahia manda seus jogos. “A Fonte Nova é inesquecível e insubstituível. Temos que voltar logo para nossa casa”, implora Renato Alves, 27, torcedor do Bahia. Já Samuel Santos, que mora em Lauro de Freitas, prefere Pituaçu. “A Fonte Nova era muito boa, mas Pituaçu é aqui do lado, pego um ônibus só. Fora que ali já é nosso PituAço”. A grafia diferente é para remeter à força do metal e aos tempos em que o Bahia era um esquadrão forte como tal.

Parceria firmada entre o Estado e o Consórcio gera polêmica
Após a discussão sobre a demolição ou não da Fonte Nova, o que alimenta os debates passou a ser as contas e o contrato de PPP (Parceria Público-Privada) firmado entre o Estado e o Consórcio OAS-Odebrecht, responsável pela construção da nova arena. No mês passado, os secretários da Fazenda, Carlos Martins, do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos, e o extraordinário para a Copa, Ney Campello, apresentaram aos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) detalhes do projeto de construção da Arena Fonte Nova.
O contrato de R$591,7 milhões e a contrapartida de R$107,3 milhões anuais (acordo firmado entre o Estado e o Consórcio) foram questionados pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério Público Estadual (MPE). O valor anual, referente a pagamento do governo estadual para a administração da arena, foi um dos pontos criticados pelo TCE. Além disso, o modelo de PPP também foi analisado e recebeu críticas, pelo fato de não ter sido escolhido o modelo de execução direta.

Tragédia anunciada: parte da arquibancada superior desabou, matando sete torcedores

A noite do dia 25 de novembro de 2007 ficará marcada não pelo jogo entre Bahia e Vila Nova, que garantiu o retorno da equipe tricolor à segunda divisão do Campeonato Brasileiro, mas pela tragédia anunciada, em que sete torcedores perderam suas vidas, quando parte da arquibancada do anel superior cedeu. Onze pessoas caíram, seis morreram no local e uma a caminho do Hospital Geral do Estado.
O acidente, absolutamente previsível, aconteceu quando a Fonte Nova abrigava mais de 60 mil torcedores. Ver a casa cheia, para alguns, era motivo de alegria; para outros, de preocupação. A velha Fonte há muitos anos já demonstrava sinais de cansaço e falta de cuidado por parte do poder público. Barras e vigas de ferro à mostra eram como ossos em fraturas expostas, num corpo que pedia descanso.
O Bahia subiu para a série B, sete vidas se perderam e o diretor-geral da Superintendência de Desportos da Bahia (Sudesb), Raimundo Nonato Tavares, o Bobô, entre outros apontados como responsáveis pelo acidente, foi absolvido no julgamento que poderia tê-lo condenado pela tragédia.
Essa, no entanto, não foi a única tragédia registrada na história da Fonte Nova. Em março de 1971, uma rodada dupla – Bahia X Flamengo e Vitória X Grêmio – foi programada para marcar a reinauguração do estádio, após uma reforma para ampliação de sua capacidade, com a implantação das arquibancadas superiores. O então presidente Garrastazu Médici era o convidado de honra da festa.
O estádio estava lotado (relatos dão conta de mais de 110 mil pessoas, com gente até nas marquises). O certo é que o número de pagantes divulgado era de 94.972 torcedores, abaixo da capacidade oficial de 96.640. No meio do segundo tempo do jogo do Vitória contra o Grêmio, ecoou um grito de que o estádio estava desabando. O pânico tomou conta das pessoas, que começaram a pular da parte superior para baixo. Na tentativa de se salvar, uma multidão invadiu o campo, misturando-se aos jogadores. O saldo deixado pela tragédia foi de dois mortos e 2.086 feridos.

Placar da Seleção nos gramados da Fonte Nova registra seis vitórias
O Estádio Octávio Mangabeira, mais conhecido como Fonte Nova, foi inaugurado em janeiro de 1951, com uma partida entre o Botafogo de Salvador e o Guarany da Bahia. O grande jogo da Fonte Nova é o clássico BA-VI, com mais de 300 edições nesse estádio, regularmente atraindo grandes públicos. Dezenove jogos da Seleção Brasileira já foram realizados em Salvador: os seis primeiros no Campo da Graça, o último no Estádio de Pituaçu e os outros onze na Fonte Nova. Desses onze, seis terminaram em vitória para a Seleção e cinco em empate.

            
            

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