Revista Primeira Página

Governo e empresas se juntam para despoluir a Baía de Todos-os-Santos

Aprendemos nos livros de geografia que a Baía de Todos-os- Santos é a maior do Brasil – o acidente geográfico mais importante da costa brasileira, com 1.052 quilômetros quadrados. Os livros de história nos mostram que ela foi a primeira a ser ocupada pelos europeus e que tem as mais antigas igrejas, fortes, solares coloniais, sedes de fazendas seiscentistas. A antropologia nos ensina que é a mais negra do País, a mais rica em diversidade cultural, no artesanato, no fazer do povo.
As publicações turísticas nos dizem que a Baía de Todos-os-Santos, com suas 56 ilhas tropicais de paisagem exuberante, é a mais bela do Brasil e a que mais atrai visitantes de todo canto e lugar. Os ambientalistas atestam suas inúmeras riquezas naturais e excepcional biodiversidade – com remanescentes de Mata Atlântica, manguezais, recifes de coral e estuários de rios importantes como o Paraguaçu, o Jaguaripe e o Subaé, além de incontáveis riachos que desembocam em suas águas.
A Baía de Todos-os-Santos é tudo isso que dizem geógrafos, historiadores, turistas e ambientalistas. E mais: em breve se tornará a baía mais despoluída do Brasil, com suas águas livres do despejo de efluentes industriais. É o que garantem governo estadual e segmentos da indústria baiana, que acabam de assinar um Memorando de Entendimento para a construção de um emissário que irá conduzir os efluentes das indústrias da orla da baía até a Cetrel, empresa localizada em Camaçari e considerada a mais completa do País em sua área de atuação.
O acordo firmado entre o Governo do Estado e as empresas Cetrel, Dow Química, Petrobras e Proquigel prevê a construção de uma tubovia de cerca de 70 quilômetros de extensão, que partirá das proximidades da Refinaria Landulpho Alves e levará os efluentes gerados por essas indústrias até a Cetrel, de onde serão conduzidos pelo sistema de disposição oceânica, através do emissário submarino da empresa.
O Memorando de Entendimento foi assinado na Governadoria, no último dia 24 de janeiro, em cerimônia que contou com a presença do governador Jaques Wagner, secretários de Estado e dirigentes empresariais. Na ocasião, o secretário do Meio Ambiente, Eugênio Spengler, destacou a importância do projeto, “que irá permitir o tratamento dos efluentes industriais e sua disposição final adequada pela Cetrel”.
O novo emissário terá a construção iniciada em julho de 2012 e, após o início das obras, em um ano estará pronto para entrar em operação. Trata-se, efetivamente, da melhor solução técnica para tratamento dos efluentes gerados pelas indústrias da área da Baía de Todos-os-Santos, como observou o presidente da Cetrel, Ney Silva: “Todo esse material, previamente tratado, será conduzido para disposição oceânica na área mais adequada para que isso aconteça”.
O presidente da Cetrel referia-se ao emissário submarino operado pela empresa de engenharia ambiental, situado ao norte da praia de Arembepe. Desde 1992, o emissário da Cetrel faz a disposição final dos efluentes gerados pelas indústrias de Camaçari, despejando-os a 4,8 quilômetros da costa, numa região com as mais adequadas condições técnicas de dispersão. É importante observar que há quase vinte anos toda a área de influência do emissário é rigorosamente monitorada pela Cetrel, em parceria com os Institutos de Biologia e Química da UFBA, através de duas campanhas oceanográficas anuais.
A Cetrel, inclusive, já apresentou proposta ao Governo do Estado para fazer trabalho oceanográfico semelhante na Baía de Todos-os-Santos, através do monitoramento de parâmetros capazes de avaliar a qualidade da água e identificar soluções e tecnologias que possam promover a melhoria das condições ambientais na área.
A assinatura do Memorando de Entendimento entre o Governo do Estado e as empresas, possibilitando o tratamento, pela Cetrel, dos efluentes gerados pela Petrobras, Proquigel e Dow Química representa um passo de fundamental importância no processo de despoluição da Baía de Todos-os-Santos, de modo a reforçar e consolidar a vocação natural da região para o desenvolvimento de atividades econômicas e turísticas sob o prisma da sustentabilidade.
É oportuno observar que o projeto ora abraçado conjuntamente por governo e empresas irá contribuir para melhorar, na Baía de Todos-os-Santos, um quadro ambiental bem menos grave, por exemplo, do que o da Baía de Guanabara. A poluição por falta de esgotamento sanitário é muito mais significativa na Baía de Todos-os-Santos do que os efluentes industriais. A Petrobras e a Dow, por exemplo, empresas conhecidas por suas políticas de responsabilidade social e ambiental, sempre seguiram com rigor as exigências e os limites determinados pela legislação específica. A assinatura do Memorando de Entendimento vem, principalmente, reforçar essa postura.
Naturalmente que a simples retirada dos efluentes industriais para tratamento e disposição pela Cetrel não será capaz de resolver o problema. Essa estratégia terá que ser acompanhada do saneamento básico das cidades no entorno da Baía de Todos-os-Santos, que o Governo do Estado define como prioridade na área ambiental.
De todo modo, os livros escolares e as revistas de turismo continuarão a falar da maior e mais bela baía do Brasil. Mas poderão acrescentar: a Baía de Todos-os-Santos é também a mais limpa, a menos poluída do País.

            
            

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